Acordei cedo pra pegar a primeira aula de uma professora substituta. Claro que eu sabia que a aula não ia render em nada, mas é meio que uma forma de me impor alguma disciplina. Aqui em casa ninguém impõe disciplina em ninguém, é algum método educativo que eu não compreendo direito, mas que aparentemente funciona de alguma maneira. Não me lembro desde quando falam que é meu dever procurar as minhas obrigações, não que isso funcione tão bem, não sei direito onde procurar minhas obrigações e já que não as encontro deixo logo de lado a procura e vou fazer algo mais fácil, como jogar Dota. A professora substituta é muito boa em encher lingüiça, e ela ainda faz de um jeito que parece ser indispensável. Eu queria um intervalo, eu tinha coisas pra fazer no campus durante o intervalo. Meu pai me faz ler livros que falam da importância do planejamento, primeiro você define um objetivo, depois define resultados a longo, médio e curto prazo. Minha professora boicotou o meu planejamento com a falsa promessa de que seria breve e que faria logo a chamada. Não foi breve, demorou mais de uma hora! Hey, eu preciso sair, tenho que ver alguém, resolver assuntos pessoais e participar de uma tal reunião que vai me dar horas extras. A mulher não para de falar, e continua frisando que minha nota não me permite cabular o restante da aula!
Jeff Buckley ou Radiohead?
Os dois… ao mesmo tempo.
Sim, eu sou clássico e faço referencias super descoladas.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Lacuna Inc.
Postado por Gabriel às 23:54
Quarta-feira, 13 de Maio de 2009
Esse est percipi
Outra vez me afoguei em uma espiral de um vazio continuo, tudo muito de repente e tudo muito difícil de se livrar. Essas coisas simplesmente acontecem vez ou outra e por mais que pareça existir uma regularidade entre esses momentos, eu ainda não sei lidar direito com isso. Apatia e desinteresse não são sentimentos desagradáveis, digo ate que é o contrario, meio que uma preguiça da vida, como se o sono clamasse por mais uns minutos deitado na cama, embaixo dos cobertores. Simplesmente é agradável ser apático como um todo, mas não tarda a incomodar. Dai vem a vontade de mudança, de conhecer novas pessoas e encher a cara na casa de alguma pessoa qualquer, preferencialmente desconhecida ate então. Daí, quase a contra gosto, as coisas começam a acontecer. Pessoas que eu nem lembrava mais tornam a ligar, alguém que se revela interessante e intensa em alguns olhares desencontrados passa a monopolizar uma parte do meu dia, e surpreendentemente vão se formando ligações que até então eu nunca havia percebido, mas já estavam ali.As coisas simplesmente vão acontecendo, sem o meu consentimento, e a vida vai seguindo um rumo que eu não tracei, mas que é envolvente e cativante. Viremos a pagina para um novo capitulo, que não se desliga do ultimo, de alguma maneira.
Postado por Gabriel às 15:14
Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
Ad extremum
Durante um bom tempo amaldiçoei minha adolescência, pra mim ela não havia sido tão boa quanto deveria, e que o tempo perdido com a expectativa de viver uma realidade próxima a de filmes como Kids (mas sem a AIDS e a falta de expectativa de futuro no final) fora muito mal gasto, mas ontem enquanto via o tempo passar de madrugada tentando dormir, percebi que tive ótimos anos, todos absurdamente junkies, fui mesmo um ridículo esboço de Kurt Cobain, e se não tive sexo da forma exagerada e constante como os filmes mostram, ao menos no final tive uma boa saúde pra continuar com a próxima etapa da vida.
O espantoso é perceber que já se passaram uns oito anos e tudo ainda parece recente, como se fosse parte da semana passada, alias, são memórias até mais vivas que na véspera, pois não carregam o peso da ressaca e da amnésia alcoólica do dia seguinte, que foram tão típicas daqueles dias.
Tenho boas recordações, não há muito orgulho em ter afundado boa parte da adolescência em exageros, mas há boas recordações.
Postado por Gabriel às 18:26
Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008
Noites mal dormidas
Infelizmente minhas melhores e mais coerentes decisões são tomadas no fim da noite quando estou prestes a dormir, ou no banho, quando estou quase prestes a dormir. São sempre boas decisões, tomadas mediante o peso de consciência pelos atos que não deveriam ter sido tomados durante o dia. Parece que tudo fica nitidamente mais claro, sensato e fácil de ser decidido depois de ter feito tudo o que não deveria e o peso da culpa pende para as escolhas corretas. O grande vilão deste tipo de situação é que logo após uma boa ou má dormida noite tudo parece mais suportavelmente aceitável de ser repetido no dia seguinte. Fazer o que, parece que deixo uma boa parcela de responsabilidade no travesseiro, e ainda não fui capaz de resgatá-la e conviver harmoniosamente com toda essa responsabilidade que tornaria minha vida infinitamente mais... responsável.
Outro fato interessante a ser pensado é como ter optado por licenciatura foi uma escolha infeliz que, definitivamente, não foi uma decisão tomada no fim da noite, com todo aquele peso de consciência dizendo claramente o que não deve ser feito. Digo que é um fato interessante pois os dois, ou até três, primeiros anos foram recheados de ensinamentos sobre o conteúdo ser importante, a capa, a encadernação e toda a frescura que visa apenas esconder a má qualidade de um trabalho é absolutamente descartável e mal visto pelos professores acadêmicos. Logo após estes anos de sinceridade real e incentivo a qualidade antes da aparência, nos jogam em meio a um bando de pedagogos que acreditam religiosamente que um trabalho bem apresentável, com capa, encadernação e demais frescuras que visam apenas esconder a má qualidade do trabalho é absolutamente necessário, sendo, muito possivelmente, mais importante que o conteúdo do trabalho, pois a pedagogia deixa claro que é preciso incentivar o esforço do aluno, que pode ser percebido através de um trabalho bem apresentável, com capa, encadernação e demais frescuras que visam apenas esconder a má qualidade de um trabalho.
Postado por Gabriel às 19:36
Domingo, 14 de Setembro de 2008
Ad breve
Postado por Gabriel às 15:18
Sábado, 23 de Agosto de 2008
Dias normais, com pessoas normais
Outro dia estava pensando em quão estranha e absurda é a cidade onde vivo. Em nenhum outro lugar do mundo alguém assumiria a paternidade da cria de uma porca! É mesmo muito estranho alguém confessar que estava dando um trato na porca e acreditar que os filhotes são resultado da zoofilia dele com a porca. Essas coisas acontecem aqui e ainda viram noticia séria, as pessoas assistem, comentam com os vizinhos e, quem sabe, enviam seus votos de solidariedade pro artista que comeu a porca e achou os filhotes muito semelhantes a ele quando criança pra não acreditar ser o pai dos porquinhos.
Goiânia é um amor de cidade. Veja o caso da mulher que achou muito boa a idéia de convencer a filha de 14 anos a dividir a cama com o padrasto, porque parecia realmente muito convincente que se o rapaz transasse com mãe e filha, não iria largar a mulher, nunca mais! Claro que a filha não achou tão legal e passou na delegacia pra comentar as idéias brilhantes da mãe, que é pedagoga.
Semana passada estava passando o caso de um simpático pai que amava tanto sua filha de 13 anos que fez um filho nela, e arrependido após ser amavelmente acolhido pela policia, queria o perdão da sociedade... da filha não, porque os filhos devem respeito aos pais. Vendo essa bela historia de família, fiquei pensando o que movia o nobre pedido do arrependido homem. Fiquei com as seguintes alternativas:
letra a: A idéia de ser pai/avô não o agradou.
letra b: Na cadeia descobriu que nem todo mundo aprova a idéia de estuprar uma garota de 13 anos, portanto repensou seus atos e decidiu pedir perdão. Talvez tenha virado evangélico... e quem não vira.
letra c: Estava apenas seguindo a cartilha dos advogados que aconselham o cliente a ficar com a cabeça baixa, voz chorosa, virar crente e estar sempre arrependido e pedindo desculpas.
letra d: Nada disso aconteceu, o rapaz é apenas um ator frustrado que depois desta atuação vai encontrar algumas dificuldades extras na vida.
Postado por Gabriel às 14:12
Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
Ad patiendum
Aos treze anos, mexendo nas coisas do meu pai, descobri que qualquer um podia publicar um livro, e nem precisava de talento pra escrever. Naquela pilha de livros, manuais e diários encaixotados, encontrei um livro com titulo forte e chamativo, do qual não me recordo. Ao abri-lo tinha uma dedicatória ao “grande amigo” que meu pai era do autor. Aos treze anos achei aquele livro medíocre, e daí começa meu “um pé atrás” com a poesia... era um livro realmente medíocre, com poesias muito mal elaboradas e sem a menor preocupação com a estrutura. Não que eu seja um bom escritor, muito menos poeta, mas com treze anos já achava pífio o trabalho daquele cara, e meu pai também.
Posteriormente descobri que não basta ser um escritor ruim pra publicar um livro ruim, o governo te incentiva a fazer isto, patrocinando sua publicação, e se estiver em uma universidade publica tudo se torna ainda mais fácil, não importa qual faculdade esteja cursando. Você é um engenheiro que se sente inspirado para vomitar poesias sobre termos técnicos da edificação urbana? Nem sua mãe precisa gostar das suas poesias, a editora da universidade vai patrocinar tudo, e você poderá distribuir os exemplares para um monte de amigos e desconhecidos na rua. Com alguma margem de risco pode receber acidentalmente a imortalidade pela Academia Brasileira de Letras, se Paulo Coelho ganhou, por que você não ganharia?
Postado por Gabriel às 18:13
